Mais uma Primavera...


Há uma primavera em cada vida!
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar, aqui… além…
Mais este e aquele, o outro e toda a gente…
Amar! Amar!

E não amar ninguem!
Recordar? Esquecer?

Indiferente!…
Prender ou desprender?
É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada…
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder
pra me encontrar…

( Florbela Espanca )

Faz de conta...


Recentemente uma professora, que veio da Polônia para o Brasil ainda muito jovem, proferia uma palestra e, com muita lucidez trazia pontos importantes para reflexão dos ouvintes.


"Já vivi o bastante para presenciar três períodos distintos no comportamento das pessoas, dizia ela.
O primeiro momento eu vivi na infância, quando aprendi de meus pais que era preciso ser. Ser honesta, ser educada, ser digna, ser respeitosa, ser amiga, ser leal.
Algumas décadas mais tarde, fui testemunha da fase do ter. Era preciso ter. Ter boa aparência, ter dinheiro, ter status, ter coisas, ter e ter…
Na atualidade, estou presenciando a fase do faz de conta.
Analisando sob esse ponto de vista, chegaremos à conclusão que a professora tem razão.
Hoje, as pessoas fazem de conta e está tudo bem.
Pais fazem de conta que educam, professores fazem de conta que ensinam, alunos fazem de conta que aprendem.
Profissionais fazem de conta que são competentes, governantes fazem de conta que se preocupam com o povo e o povo faz de conta que acredita.
Pessoas fazem de conta que são honestas, líderes religiosos se passam por representantes de Deus, e fiéis fazem de conta que têm fé.
Doentes fazem de conta que têm saúde, criminosos fazem de conta que são dignos e a justiça faz de conta que é imparcial.
Traficantes se passam por cidadãos de bem e consumidores de drogas fazem de conta que não contribuem com esse mercado do crime.
Pais fazem de conta que não sabem que seus filhos usam drogas, que se prostituem, que estão se matando aos poucos, e os filhos fazem de conta que não sabem que os pais sabem.
Corruptos se fazem passar por idealistas e terroristas fazem de conta que são justiceiros…
E a maioria da população faz de conta que está tudo bem…
Mas uma coisa é certa: não podemos fazer de conta quando nos olhamos no espelho da própria consciência.
Podemos até arranjar desculpas para explicar nosso faz de conta, mas não justificamos.
Importante salientar, todavia, que essa representação no dia-a-dia, esse faz de conta, causa prejuízos para aqueles que lançam mão desse tipo de comportamento.
A pessoa que age assim termina confundindo a si mesma e caindo num vazio, pois nem ela mesma sabe quem é, de fato, e acaba se traindo em algum momento.
E isso é extremamente cansativo e desgastante.
Raras pessoas são realmente autênticas.
Por isso elas se destacam nos ambientes em que se movimentam.
São aquelas que não representam, apenas são o que são, sem fazer de conta.
São profissionais éticos e competentes, amigos leais, pais zelosos na educação dos filhos, políticos honestos, religiosos fiéis aos ensinos que ministram.
São, enfim, pessoas especiais, descomplicadas, de atitudes simples, mas coerentes e, acima de tudo, fiéis consigo mesmas.
Você sabia?
Que a pessoa que vive de aparências ou finge ser quem não é corre sérios riscos de entrar em depressão?
Isso é perfeitamente compreensível, graças à batalha que trava consigo mesma e o desgaste para manter uma realidade falsa.
Se é fácil enganar os outros, é impossível enganar a própria consciência.
Por todas essas razões, vale a pena ser quem se é, ainda que isso não agrade os outros.
Afinal, não é aos outros que prestaremos contas das nossas ações, e sim a Deus e à nossa consciência".

Ninguém nasce sabendo...


Aprender com erros – caminho doloroso, mas eficaz…

Esta frase é tão óbvia – mas tão óbvia – que ninguém se interessa em investir o seu precioso tempo para se aprofundar no que ela poderá representar para a qualidade da sua vida pessoal, e muito menos nos estragos que poderá causar à sua vida profissional.
Se você não nasceu sabendo, a ordem natural das coisas é que continue não sabendo, a não ser que faça alguma coisa para mudar essa situação. Enquanto não assumir que não sabe e precisa aprender, você continuará da mesma forma que nasceu – ignorante.
Para as pessoas consideradas normais, o aprendizado pode vir de duas maneiras:
Pelo amor – para aqueles que, de forma proativa, utilizam suas intuições e experiências para analisar os fatos, antever acontecimentos, e se preparar para enfrentá-los.
Pela dor – para quem age de forma reativa e não se prepara antecipadamente para enfrentar os acontecimentos. Quando os fatos acontecerem, ele irá enfrentá-los com as armas que possui, na grande maioria das vezes desatualizadas e ineficazes.
  • Se ignorarmos a história, estamos condenados a repeti-la.
Que lições é possível tirar de tudo isso, e o que fazer para não incorrer no mesmo erro?
  • Fique de olho nos fatos – Os acontecimentos não ocorrem do dia para a noite.  Você já ouviu dizer que onde há fumaça, há fogo, não ouviu? Pois então fique atento a essa fumaça. Se você perceber que a fumaça está se transformando em labaredas, não espere para ver se aparece um bombeiro salvador que apague o incêndio. Trate de proteger a si e ao seu patrimônio.
  • Enfrente o medo – É natural que você tenha medo de enfrentar o problema. Mas não fuja dele. O melhor momento para apagar um incêndio é enquanto não passa de pequena labareda. Depois que tomar proporções gigantescas, o jeito é esperar o rescaldo e ver o que sobrou.
  • Controle o EGO – Excesso de confiança pode acabar em desastre. Muitas pessoas possuem um EGO tão inflado, que se julgam capacitadas para resolver todo e qualquer problema. Mas de nada adianta! Ego, por maior que seja, não resolve problemas.
  • Faça parte da inteligência empresarial – Muitas pessoas se escondem na hora das crises. Talvez o medo faça com que permaneçam nas suas zonas de conforto, longe do calor da fogueira. Assuma a sua posição de fato e de direito.
Aprender com erros poderá ser mais eficaz, mas muito doloroso.
Porque você não adota uma postura mais proativa?
- Faça uma análise de onde pretende estar daqui a 5 anos.
  • - Veja o que precisa aprender para alcançar esse objetivo.
  • - Planeje qual a melhor forma de adquirir esses conhecimentos.
Quando você chegar lá, com certeza ainda existirá algo a ser aprendido pela dor. Mas, com toda certeza, o sofrimento será infinitamente menor do que se tivesse deixado para aprender tudo de uma vez.

É proibido...


É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.
É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.

É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,
Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

Não precisa ser pra sempre...

‘Para sempre’, em minha opinião, é nada mais nada menos que um dia depois do outro. 
Ou seja, é construção.
Em princípio, não existe. 
Mas basta que façamos a mesma escolha sucessivamente e teremos construído o ‘para sempre’.
O que quero dizer é que o ‘sempre’ não é magia nem tampouco um tempo que pré-exista.
Ele é conseqüência. 
Nada mais que conseqüência de uma sucessão de dias, vividos minuto por minuto.
Quanto ao amor, tem gente que acredita que só é de verdade se durar “até que a morte os separe”.
Outras, como o grande Vinícius de Moraes poetizou, apostam no “que seja eterno enquanto dure”.
Eu, neste caso, admiro a coragem de quem vai até o fim, de quem se entrega inteiramente ao que sente,
de quem se permite viver aquilo que seu coração pede até que todas as chamas se apaguem.
Mais do que isso: até que as brasas esfriem e 
– depois de todas as tentativas –
nada mais possa ser resgatado do fogo que um dia ardeu.
Claro que não estou defendendo 
a constância indefinida de atitudes desequilibradas, 
exageros desnecessários ou situações destrutivas.
Mas concordo plenamente com o que está escrito no comovente “Quase”, de Sarah Westphal 
(muitas vezes atribuído a Luiz Fernando Veríssimo):

… “Pros erros há perdão; 
pros fracassos, chance; 
pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor
 não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, 
que a rotina acomode, 
que o medo impeça de tentar” … 

Porque de corações partidos por causa de 

um amor vivido pela metade as ruas estão cheias.
Assim como de almas que perambulam feito 
pontos-de-interrogação,
a se questionar o que mais poderiam ter feito 
para que o outro também estivesse presente,
para que não fugisse tão furtivamente, 
tão covardemente, tão sordidamente.
É por isso que insisto:
 muito mais do que nos preocuparmos com o ‘para sempre’, precisamos começar a investir no ‘até o fim’,
 para que o ‘agora’ tenha mais significado, 
para que as intenções, as palavras, as atitudes 
e todos os recomeços façam parte 
de uma história mais sólida,
 menos prostituída, 
que realmente valha a pena.
Então, questione-se: 
o coração ainda acelera quando o outro se aproxima?
O peito ainda dói de saudade?
O desejo ainda grita, perturbando o silêncio da noite?
Não chegou ao fim!
Não acabou.
Sei que, em alguns casos, 
motivos de força maior impedem um amor de ser vivido
(e daí a separação pode ser sinal de maturidade),
mas na maioria das vezes o que afasta dois corações 
é muito mais intolerância, ilusões ou auto-defesas tolas
do que algo que realmente justifique o lamentável desfecho.
O outro não quer? 
Desistiu? 
Acovardou-se?
Ok! Por mais incoerente que pareça, 
é um direito dele.
Esteja certo de que você fez o que estava ao seu alcance 
e depois…
bem, depois recolha-se e pondere: 
“pros amores impossíveis, tempo”.
Tempo em que você terminará descobrindo 
que a vida tem seu jeito misterioso 
de fazer o amor acontecer,
mas que – no final das contas – 
feliz mesmo é quem, apesar de tudo, 
tem coragem de ir até o fim!
Não precisa ser para sempre, 
mas precisa ser até o fim!
 

( Rosana Braga )

Virando a página...

É importante, sempre, saber quando termina uma etapa da vida.
Se você insiste em permanecer nela, além do tempo necessário, perderá a alegria e o sentido de tudo o mais.
Encerrando ciclos, fechando portas, ou encerrando capítulos, como queira chamar, o importante é poder encerrá-los, deixando ir momentos da vida que se concluíram.
Terminou seu trabalho? Acabou sua relação com o parceiro? Você já não vive mais numa determinada casa? Deve fazer uma viagem? A amizade com alguém terminou? Roubaram você em sua casa? Morreu um ente querido? Quebrou ou estragou um objeto de estimação? Você descobriu que o mentor espiritual que seguia era uma fraude?
Você pode passar muito tempo de seu presente remoendo os porquês, tentando devolver a cassetada que levou, ou mesmo procurando entender por que aconteceu tal fato em sua vida. O desgaste vai ser infinito, pois, na vida, você, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos temos de ir encerrando capítulos, virando a página, concluindo etapas ou momentos da vida e seguir adiante.
Não podemos estar no presente com saudades do passado. Nem sequer perguntando-nos por quê? O que passou, passou, e temos que soltar, desprender, não ficar presos ao que passou. Não podemos ser crianças eternas, nem adolescentes tardios, nem empregados de empresas que já não existem, nem ter vínculos com quem não quer estar vinculado a nós.
Não! Os fatos passam e temos que deixá-los ir!
Por isso, às vezes é importante destruir recordações, livrar-se de presentes, mudar de casa, rasgar papéis velhos, desfazer-se de livros ou de objetos que são desnecessários. As mudanças externas podem simbolizar processos interiores de superação. Deixar ir, soltar, desprender-se.
Na vida ninguém joga com cartas marcadas, e temos que aprender a perder e a ganhar. Temos que deixar ir, virar a página, viver só o presente. O passado já passou.
Não espere que lhe devolvam o passado, não espere reconhecimentos, não espere que em algum momento se dê conta de quem é você. Solte o ressentimento. Ligar seu televisor pessoal para retornar ao assunto só vai causar-lhe dano mental, envenená-lo, amargurá-lo. Apesar de o tempo não ser linear, a vida está para a frente, nunca para trás.
O que passou deve servir apenas para que continuemos a viver com mais sabedoria. Se você anda pela vida deixando portas abertas, nunca poderá desprender-se nem viver o hoje com satisfação.
Noivados ou amizades que não se fecham, possibilidades de regressar para quê? Necessidade de esclarecimentos, palavras que não se disseram, silêncios que o invadiram: se puder enfrentá-los já e agora, faça-o! Se não, deixe-os ir, encerre os capítulos. Diga a você mesmo que não, que não deve voltar. Mas não por orgulho, nem por soberba, mas porque você já não se encaixa aí, nesse lugar, nesse coração, nessa habitação, nessa morada, nesse escritório ou nessa profissão.
Sua freqüência agora é outra.
Você já não é o mesmo que foi há dois dias, há três meses, há um ano. Portanto, não há porque voltar. Feche a porta, vire a página, encerre o ciclo. Nem você será o mesmo, nem as circunstâncias seriam as mesmas, porque na vida nada se mantém quieto, nada é estático.
É saudável mentalmente ter amor por você mesmo, desprender-se do que já não está em sua vida. Recorde-se de que nada, nem ninguém, é indispensável.
Nenhuma pessoa, nem um lugar, nem um trabalho, nada é vital para viver, porque quando viemos a este mundo chegamos sem qualquer adesivo ou etiqueta. Portanto, é apenas costume viver apegado a um adesivo ou etiqueta. E é um trabalho pessoal aprender a viver livre, sem o adesivo ou etiqueta humano ou físico que hoje dói, deixar ir.
Mas encerre, feche, limpe, jogue fora, oxigene, desprenda-se, sacuda, solte. Existem muitas palavras que significam saúde mental, e qualquer que seja a que você escolha o ajudará definitivamente a seguir adiante com tranqüilidade. Esta é a vida.
A felicidade é a conquista do sucesso interior. Sentir-se realizado, feliz, amado e próspero é uma ambição natural de todos nós. Todavia, só conseguiremos chegar ao topo, se tivermos o otimismo audacioso de confiar nos poderes do invisível. Sob proteção do amor do Universo, seguirmos para frente sem medo de viver.

( Zibia Gasparetto )

Salvar um amor ??

Por que tentar salvar um amor que já morreu?
Não seria talvez melhor trocá-lo por um novo?!
Você deve separar-se de um grande amorenquanto ainda não tem nenhuma razão para separar-se dele. 
Porque, mais tarde, quando você já tiver pelo menos uma razão, nem lembranças gostosas restarão desse amor.
Quando surge alguma razão para separar-se de alguém - ainda que seja uma só razão – a saudade se torna impossível. 
Não vale a pena correr esse risco.
Portanto, salte profundo – de cabeça, no coração da Surpresa!
Mas você, você tem medo. 
Você tem medo da Solidão… 
Você tem medo de ficar sem ninguém.
Então, você quer agarrar esse amor como se fosse o último da tua vida. 
Você, pessimista, acha que não consegue mais arranjar outro igual – nem melhor…
Esse, o teu grande erro.
Teu maior erro.

Pausa para aprender...

Entre uma decepção e outra, que tal uma pausa para aprender?
Tem época na vida da gente que parece que o nosso relacionamento é mais uma provocação do que uma oportunidade de se sentir satisfeito e feliz…
Assim, vamos contabilizando decepções e desacreditando na possibilidade de viver uma experiência positiva e motivadora.
Quando isso acontece, creio que o melhor seja parar.
Uma pausa para aprender. Ou melhor, antes apreender.
Perceber o que está acontecendo, quais são nossos verdadeiros desejos e quais tem sido nossas atitudes para torná-los concretos.
Muitas vezes, fazendo uma análise mais justa e desapegada, sem assumir nenhum papel, nem o de vítima das armadilhas da vida, nem da sacanagem dos outros e nem o de culpado, como se tudo o que fizéssemos estivesse definitivamente errado, terminamos descobrindo que há alguma incoerência nisso tudo.
Só que para isso precisamos de tempo… e principalmente de coragem para admitir limitações, assumir pensamentos negativos e confiar mais na sabedoria da vida e seu ritmo.
O que acontece, no entanto, é que a maioria de nós não quer esperar, não quer refletir.
Será que estar com alguém é o mesmo que estar feliz?
Pode ser que sim, mas pode ser que não… e se por qualquer motivo você não tem ficado com quem deseja, talvez seja o momento ideal para um intervalo, tão útil entre uma decepção e outra…
Tempo de se observar, de observar as pessoas e ouvir o que elas dizem.
Tempo de aprender, crescer, ter uma nova conduta, desenvolver uma nova postura.
Aguardar até que a vida lhe mostre qual é o melhor caminho a seguir… mas para ver, você precisa estar atento… sem tanta ansiedade, sem tanto desespero para tentar fazer com que as coisas aconteçam do jeito e na hora que você quer…
E se nenhuma resposta vier, talvez signifique que você precisa ver e ouvir com o coração. Respeitar o silêncio.
Aceitar a ausência de quem você tanto deseja …
 
Talvez não haja uma resposta e nem haja uma explicação.
Às vezes, simplesmente não existem respostas nem explicação.
Apenas a vida.
Apenas as pessoas.
Apenas o mundo.
Apenas a dor e o amor.
Apenas…
E se insistirmos em não aceitar, em brigar, em nos rebelar, em nos revoltar… conseguiremos tão somente mais dor… e menos amor.
Aceite que você não tem o controle, que você não pode decidir sozinho, que o universo tem seu próprio ritmo.
Faça o que está ao seu alcance; faça a sua parte… e bem feito; da melhor maneira que puder…
E o que não puder, entregue e espere… porque embora diga sabiamente a música "quem sabe faz a hora, não espera acontecer", tem ocasiões nesta vida em que quem sabe espera acontecer e respeita a hora de não fazer…
Até que um dia, o amor de novo acontece… porque seu coração estava exatamente onde deveria estar para ser encontrado!

( Rosana Braga ) 

Amor refogado...


Um amor pode ser desperdiçado?
 
Todos aqueles que já sofreram por amor responderiam intempestivamente: sim.
O amor que não interage com o ser amado, o amor que não é retribuído, que não é compreendido ou valorizado, são todos amores que não servem para nada, a não ser para minar nossas forças e nos desestimular a tentar de novo.
Assim parece.
Para que serviria este amor unilateral, vivido a sós?
Mas ele serve para muitas coisas.
É como a sobra da carne que vai para o refogado, a sobra das verduras que vira sopa.
É possível se alimentar do que resta do amor.
Não jogue no lixo o que você sente, mesmo que seu amor já não tenha bom aspecto, mesmo que pareça ter perdido o prazo de validade.
Você mudou.
Você viveu.
Aprendeu.
Se está amando, é porque conheceu alguém que lhe provocou sensações raras e estimulantes.
É porque estava desarmado diante do amor, porque não reconheceu no amor um inimigo.
Frente a frente com um sentimento, é melhor não brigar.
Vencendo ou perdendo, você sai mais forte.
Não se lastime por estar perdendo tempo com um amor inútil.
Nada que faça você chorar ou ficar em silêncio é inútil.
São nessas etapas que tentamos entender melhor nosso jeito de estar no mundo, é nessa hora que ficamos mais atentos ao que diz o coração.
E se o coração está dizendo "eu amo e não sou amado", não receba isso como uma sentença, como um atestado de fracasso, e sim como uma benção: seu coração fala.
Bate. Está vivo.
Saudades de frases, beijos e reciprocidade não diminuem você, não fazem de você um infeliz.
Você tem uma história pra contar, um romance pra lembrar: você tem, não precisa inventar.
O que foi vivido é seu, ninguém lhe tira, ausência nenhuma tem o poder de cancelar.
Não tente transformar o que sobrou do amor em amor fresco, porque as coisas não voltam.
Aceite os restos de amor como uma herança de algo bom que passou, como algo que pode ser reaproveitado, que pode vitaminizá-lo para os próximos passos.
Não desperdice este amor que está aí dentro, desaproveitado.
Transforme-o em alimento energético, que também tem o seu sabor.

Falta...


Como dizer tudo o que estou sentindo?
O que falar, o que escrever que possa refletir os meus pensamentos?
Me pego parada, olhando para o tempo, pensando em você, em nós dois, em tudo que  já não há a minha volta.
Era tudo tão bom quando estavamos juntos… 
Podia passar horas junto à você, de olhos fechados, aconchegada no teu abraço, sentindo teu calor, teu cheiro me embriagando…
Pensar no amanhã e como vai ser, é tão doloroso. Como ficar longe? "Você não me ensinou a te esquecer…" 
Um dia atrás do outro, passando, lentos, eternos, sentindo a saudade me machucar…
Sentindo sua falta…   Como vou viver bem sem você?  
Vamos ser mais. Vamos?
Vamos! Vamos viver bem o dia de hoje.
Hoje é "o" dia.
Vamos vivê-lo intensamente, curtí-lo intensamente. 
Vamos viver!!
Vamos cantar. Cantar pelo prazer de cantar, sem pensar na afinação, na opinião de quem está nos ouvindo. Cantar o que dá prazer, cantar a música que traz boas lembranças, inventar novas letras e novas melodias, pelo prazer de inventar. Cantarolar baixinho no elevador, cantar bem alto no carro, sem olhar pros lados (eles não são críticos musicais, certo?). Vamos simplesmente cantar.

Vamos dançar. Dançar sem exibicionismo, sem afetação. Dançar pelo prazer de sentir o corpo fluir ao ritmo da música, ao ritmo da imaginação, ou até mesmo sem ritmo.
Dançar coladinho, dançar soltinho, dançar pelo apartamento, pelo corredor do prédio (enquanto o síndico não aparece). Vamos simplesmente dançar.

Vamos Amar! Amar o que merece ser amado, amar quem merece ser amado. Não vamos amar pela metade. Vamos amar muito. Por inteiro. Vamos ser inteiros no ato de amar. Vamos ter menos medo de demonstrar nosso amor. Vamos aprender a demonstrar este amor. Vamos aprender a preservar este amor.

Mas, caso isso não possa mais acontecer, vamos ser sinceros, conosco e com quem amamos, no amor.  Porque não é nada fácil nos separarmos. Cada um sofre um bocado. Então vamos tolerar e compreender quem um dia amamos, porque não é fácil amar por inteiro… Há pessoas que procuram por isso a vida inteira e não encontram. Vamos dar valor ao amor que já tivemos nesta vida. Vamos dissipar os mal-entendidos, pra poder prosseguir inteiros.
Vamos ter menos medo de não sermos compreendidos, de não sermos aceitos. Vamos reconhecer e retribuir o valor do amor que as pessoas sentem por nós.

Vamos amar mais nós mesmos (sem cair no egocentrismo). Vamos compreender nossas qualidades, nossa condição de irmanados neste mundo, e perceber que queremos, precisamos, merecemos ser amados. E vamos nos fazer dignos deste amor. Vamos nos esforçar pra ser merecedores deste amor. Vamos simplificar o ato de amar. Vamos simplesmente amar.

Vamos pensar menos. Vamos ser mais infantis. Vamos nos dar o direito de resgatar as boas coisas de ser criança. Vamos ser mais inocentes, vamos olhar nos olhos com mais franqueza e transparência, vamos ser mais curiosos, vamos sorrir sem travas, vamos nos divertir muito com pouca exigência. 
E vamos pedir colo, se quisermos colo. Não vamos ser dissimulados. Vamos desencanar. Vamos ser mais espontâneos. Vamos ser mais crianças. Vamos ser bons. 



Vamos ouvir o que nos diz o Dalai Lama: 

"Você não precisa ter uma religião, você precisa ter 
uma Conduta Ética Positiva".
Vamos ser éticos, vamos agir positivamente. Vamos ser grandes com pequenos gestos, que podem surpreender e significar muito pra quem os recebe. Vamos abrir a porta do carro pra quem nos acompanha, vamos abrir a porta do elevador, ainda que não seja o nosso andar, pra ajudar outra pessoa a descer. Vamos dar atenção à gentileza.

Vamos fazer grandes viagenzinhas. Podemos sonhar com Taiti, por quê não? Mas podemos curtir muito uma cidadezinha nas redondezas. São tantas! Vamos comprar um Guia, deixá-lo no carro, comentar e compartilhar as dicas com nossos familiares e amigos.
Vamos mudar de ares. Vamos pegar o carro e cair na estrada, rodar aí uma centena de quilômetros, aproveitar pra cantar bastante no trajeto. Vamos comer uma comidinha diferente, vamos apreciar um céu que é o mesmo da nossa cidade, mas você sabe que não é o mesmo.
Vamos sentar num banco da Praça Matriz (sempre há uma) e não pensar em nada. Apenas, respirar fundo (você já respirou fundo hoje?). Vamos ver, fotografar, filmar, bater perna, vamopelaí.

Vamos nos ver mais. Sempre reclamamos que vemos poucos os amigos, principalmente. Vamos curtir mais esta cidade, e curtí-la com quem merece, os nossos verdadeiros amigos. Vamos dar mais valor a eles, compreendê-los mais.
Vamos ser mais amigos dos nossos amigos. Vamos gastar uns interurbanos pra falar com aquele amigão do interior, ele merece essa atenção. Em vez de mandar emails pros amigos, vamos abraçá-los mais. Vamos usar menos a frase "a gente precisa se ver", vamos nos ver mesmo!
Vamos ser mais cantantes, mais dançantes, mais amantes; mais infantis, mais generosos, mais circulantes; vamos ser mais amigos.
Vamos ser mais. 
Vamos?

Dsencontrada...


A algum tempo não me via assim "desencontrada" – palavra estranha… nem sei se existe -
palavra que uso para traduzir como me sinto :
não me acho em nada nem em lugar algum…

as coisas acontecendo,
e eu sem saber se realmente as escolhi viver
ou se estou só vivendo…

É assim...

“O amor começa 
quando uma pessoa se sente só 
e termina quando uma pessoa 
deseja estar só.”


Tolstoi

Mudou...

Mudou
(Taiguara)
Mudou o tempo e o que eu sonhei pra nós
Mudou a vida o vento a minha voz
Mudou a rua em que eu te conheci
Mudou
A ilusão da paz do nosso amor
Mudei as rimas do meu verso cru
E o sol mudou de cor meu corpo nu
Mudou
O impulso aflito de dizer que não
A lua é nova e é nova a informação
Mudou meu céu e vai mudar meu chão
A terra ardeu e o céu desmoronou
E há o que fazer e a flor não me ensinou
E há o que fazer meu sonho não mostrou
Mudou
E vai mudar enquanto eu não morrer
E vai mudar pro amor sobreviver
Vê se me entende eu mesmo não mudei
Eu sou o mesmo livro, podes ler
Eu sou o mesmo livre pra dizer:
Que eu amo ainda
Que eu quero ainda
Te espero ainda
Pro amor!

Pensamento

"Eu gosto de viver!
Já me senti feroz,
desesperada,
agudamente infeliz,
dilacerada pelo sofrimento.
mas apesar de tudo ainda sei,
com absoluta certeza, que
estar viva é sensacional." 

Agatha Christie

Sal


Deve haver
algo de sagrado no sal…

Encontra-se nas lágrimas
e no mar

Khalil Gibran

Um amante (poesia sufi)

Eu quero um amante!
Que quando se mova,
ou se levante,
deva erguer-se da morte,
jorrando fogo para todos os lados.
Nós ansiamos por um amor
como o inferno;
um amor que queima
do inferno até a superfície;
um amor que desafia as ondas do mar
e atira centenas de mares no fogo.
Envolve os céus
como um lenço em suas palmas.
E suspende a luz inexaurível
no forro do mundo.
Com a humildade de um crocodilo
deve lutar como um leão,
não deixando ninguém exceto ele mesmo;
luta, então, com ele mesmo.
Deve rasgar as sete cortinas do amor
com a intensidade da sua luz
e os céus devem responder:
‘Maravilha! Maravilha!
Uma vez que ele encontre a saída do Sétimo Mar
e dirija-se ao Monte Kaf, ele deverá
distibuir muitas pérolas e corais
pelos continentes da terra...

(Rumi)