No sono que não vem...
Recolher-me dentro de mim mesma num silêncio que faz pensar… silêncio que assusta porque remexe aguas represadas, trazendo à tona minha alma sem máscaras.
Sonhar não é apenas a ameaça de defrontar-me com medos, mas também ser inquilina do meu pequeno segredo individual, me escondendo num canto escuro e abafado com minhas dores.
O sonho é como um lago negro que está falsamente quieto mas que nas aguas mais profundas ferve e espreita o medo.
Tem meandros onde me confundo e labirintos onde me perco… eu o temo, mas também o tenho como refúgio.
Muitas vezes me serve como abrigo, rota de fuga, cúmplice silencioso das minhas escapadas: durmo pra não me lembrar.
Nem eu mesma consigo remendar esse quebra cabeças… certamente faltam peças… tudo parte de um misterioso plano que eu não compreendo, mas posso sentir.
Achei que bastaria rezar, e Deus, do alto das nuvens me faria ser "normal".
Depois de algum tempo cansei de rezar e de sonhar que "quando adulta" eu seria segura de mim, dona do meu nariz, nunca mais carente… bobagem!
Mas ando botando de pernas pro ar meusa conceitos: às vezes é defícil entender o que se passa e descobrir o que deveria fazer…
Na maioria das vezes tenho de me contentar com o que posso realizar ou pensar…
"Querer é poder ?" : pois bem, eu queria ser ruiva, magra e linda!… mas continuo sendo como dá.
Posso parecer tola, mas eu acredito que, nos momentos de sombra é preciso coragem.
Coragem de sonhar!
Porque se desistimos disso, apaga-se a ultima claridade e nada mais valerá a pena.
Escapar, na liberdade do pensamento, desse medo de pensar em mim mesma dentro dos meus sonhos.
Então anseio por isso: um pouco de sonho/silêncio para que eu escute minha vóz interior e tudo o que fala muito além das palavras de todos os textos e da música de todos os sentimentos.
Carinhos sempre…
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