
Saudade... como é bonita essa palavra !
Me remete sempre a sentimentos gostosos.
Nunca vi a saudade como algo triste ou ruim de sentir. Talvez porque a gente só sinta saudades de coisas boas, né ?!
Mas, para os poetas, a saudade sempre tem um pouco de dor.
Não sei se isso é certo.
Acho que saudades são o resultado de experiências positivas, que nos fizeram bem um dia.
Sentir saudades é um privilégio de quem viveu momentos que valeram a pena!
Quanta Saudade… Que Bom!
Saudade… Você já pensou que ela pode morar em nossa alma?
Num dos seus poemas, Ângelus Silésius, o místico que escrevia em forma poética, diz assim:
“Temos dois olhos. Com um nós vemos as coisas do tempo, efêmeras, que desaparecem.
Com o outro nós vemos as coisas da alma, eternas, que permanecem.”
Dois olhos, cada um deles tem uma memória diferente.
Na memória do primeiro olho estão guardadas, numa infinidade de arquivos,
as informações sobre o mundo de fora, coisas que realmente aconteceram.
Basta que eu diga o nome da informação desejada para que o arquivo se abra e eu me lembre.
É assim que funcionam os computadores.
Nós, em muitos aspectos, nos parecemos com eles.
Mas as memórias do segundo olho são diferentes.
E isso porque elas moram na alma.
E a alma é uma artista.
Artistas não aceitam a realidade.
Como disse o filósofo Ernst Bloch:
“O que é não pode ser verdade.”
Ou, no dizer do poeta Manoel de Barros,
“Deus dá a forma. O artista desforma…”
Imagine um ceramista.
Trabalha com a argila.
Argila é coisa sem sentido, sem beleza.
Aí ele, artista, toma a argila e com suas mãos lhe dá a forma de beleza que sua fantasia pede.
Pois é isso que faz a alma: ela toma as memórias do primeiro olho como se fossem argila e lhes dá a forma que o coração pede.
Por oposição às memórias do primeiro olho, que são exteriores a nós, as memórias do segundo olho são partes de nós mesmos.
Quando as recordamos, o corpo se altera: ele ri, chora, brinca, sente saudades, medo, quer voltar…
Às vezes, para pegar no colo aquela criança amedrontada.
E nem sabemos se foi daquele jeito mesmo ou se o recordado é uma fantasia, criada pela alma.
Mas, para a alma, isso não importa."
Carinhos sempre…

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