Pensar...

Agora, como muitas vezes já fiz ( e que aliás, adoro…) paro para penasr e tento transcrever o que penso em folhas soltas…

"Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona".

Ao ler isso pensei: perfeito!

Apesar dos medos percebi que viver só tem sentido se for uma constante reinvenção do que sou… e para reinventar-me é preciso pensar!

Sem ter nenhuma programação, um sorrateiro pensamento me faz parar, sair de mim e olhar à distância minha vida, vê-la refletida no que sou e em tudo que faço.

Sei que não posso alterar o passado; dramas pessoais podem ser raízes venenosas por baixo da terra da alma, a lei do silêncio, do segredo obcessivo pode constituir dolorosa perturbação. 

Mas posso mudar minha postura em relação a isso, ainda que em longos e dolorosos processos, que significarão a diferença entre a vida e a estagnação.

Posso me libertar, mesmo sabendo que sair do estabelecido e habitual, ainda que seja ele ruim, é sempre perturbador.

Autoconhecimento, um dos objetivos da terapia, apura a visão e me leva a entender melhor, a conviver com feridas, a reagir mesmo quando o medo é forte e feio.  

Sentir-me valorizada por alguém, amigo, amor, por um grupo, também é muito bom e definitivamente positivo.

Mas não é tão fácil quanto parece ser…

Sentindo-me por demais ferida (me vejo às vezes questionando amedrontada: quem agora me ferir? de onde virá o próximo golpe?) e desamparada, me deixo ficar enfim entregue à profissional que me vai cuidar, fazendo algo mais grave ainda do que remendar as entranhas numa mesa cirúrgica: tentamos juntas remendar minha pobre alma.

Na verdade o que me revigora é pensar, entrar em mim e refletir.  

Nada se renova, inova, expande e se faz de verdade sem um momento de silêncio e obcervação… mas precisei de uma "ajudinha" pra tirar os véus que cobriam fatos essenciais que eu precisava rever, analisar e enfrentar para poder então deixar ir, tirando deles deles o poder de me afetar ainda hoje.

Enfrentar que há em mim uma sensação quase ancestral de que não sou amada, de que serei rejeitada… um medo quase irracional de não ser aceita, querida… que foi sentido talvez antes mesmo de eu nascer e me faz ter até hoje essa necessidade de provar à todos ( e a mim mesma inclusive) que eu sou digna de ser amada.

Construir uma base sólida para a auto-confiança é um trabalho árduo… mas recompensador, com toda certeza.

Remexendo no baú de memórias e sentimentos vou em busca de tudo que possa me validar como merecedora de minhas conquistas, fazendo com que eu acredite ter o meu lugar, aquele onde me sinto bem e capaz.   

Me torno mais que corpo e ansiedade: sou mistério, o que me faz maior do que pensava ser – maior do que os meus medos.

Enfrento então de frente um velho fantasma… e isso dói! não há como não sofrer, e reviver essa dor é importante para que eu busque recursos internos para enfrentá-la.  

O apoio dos outros, o abraço, o ouvido e o colo que tanto anseio são sempre bem vindos, mas são relativos e passageiros quando descubro que a força decisiva terá de vir de mim mesma…

Carinhos sempre…

Nen@Guia

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